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Coluna do João de Almeida Neto - O boca braba;
Publicado em 25 de julho de 2011

O secretário estadual de Cultura, Luiz Antônio Assis Brasil, em entrevista publicada na edição de sábado do jornal Zero Hora, afirmou que o “estado não é só cultura campeira”. E quem disse que é???? De onde o secretário tirou essa???? O Rio Grande do Sul é ricamente diversificado, seja por raças, etnias, religiões, regiões. Todas essas manifestações compõem um mosaico cultural riquíssimo, juntamente com a cultural rural, integrativamente, somativamente.

Revela o secretário que, para atender reivindicações pontuais de outros setores culturais, está redigindo um documento em que propõe discutir questões como a “hegemonia da cultura do homem do campo”, que, segundo ele, é metonímia.

Barbaridade! O raciocínio de que eventual obscuridade de outras linhas é culpa de quem fez o que tinha que ser feito para defender o que gosta é completamente equivocado. Não é prudente que a administração pública, por seu agente da área cultural, culpe a cultura campeira pelas dificuldades de outros segmentos. Não é aceitável que o secretário venha a público, em jornal de grande circulação, lançar censuras e jogar a opinião pública e a comunidade cultural contra as pessoas que operaram de forma produtiva.

A notoriedade da cultura campeira, seja pelas artes ou pelas festividades (rodeios, festivais, feiras) se dá em virtude da competência dos artistas e administradores dessa área. Houve tempo em que essa manifestação agonizava no ostracismo. Face ao trabalho competente e belo de artistas, intelectuais e abnegados, o que era considerado “coisa de grosso” ganhou os palcos e as ruas e hoje acompanha uma multidão de pessoas que assumem e vivenciam o nosso folclore. No artesanato, na pintura, nos carros – ouvindo música gaúcha -, nos bailes, ou nos shoppings – tomando mate.

A cultura rural não tomou espaço de ninguém. Conquistou o seu. Com talento e eficiência. Não há hegemonia nem metonímia. Há trabalho, dedicação e aceitação popular. E esse trabalho que tanto frutos trouxe à cultura rural deve servir de exemplo. Os resultados positivos devem causar orgulho, não ressentimentos e suposições de antagonismos.

O que realmente é necessário, e o Rio Grande do Sul há muito clama por isso, é o surgimento, na administração pública, de pessoas competentes e de visão larga que, sem mexer no que está dando certo, encontrem soluções para as áreas desprestigiadas ou em dificuldades. Para plantar açucenas não é necessário pisar nas rosas.

 

Fonte; blog do léo Ribeiro