Please wait while JT SlideShow is loading images...
CoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGauchoCoxixoGaucho

O Facebook e as redes sociais foram inundados por manifestações veementes e indignadas
contra a performance da XUXA em mais um programa global, onde com um sotaque exagera-
damente caricatural, teria ofendido os suscetíveis e excelsos brios do nosso Rio Grande do Sul.
Seguidamente acontecem injustiças muito mais virulentas e devastadoras contra o nosso
patrimônio cultural e ninguém protesta e nem tampouco se insurge com a mesma veemência do
caso da XUXA. E não estou defendendo ela, muito pelo contrário, quem renega as suas origens,
realmente não merece o nosso respeito.
Mais de uma vez a grande mídia, de maneira artificial e postiça, lá nos grandes veículos e
redes onde são fabricados os falsos sucessos, gestados nas poderosas e mercantilistas oficinas da
comunicação de massa, perpetrou verdadeiras injustiças, altamente desrespeitosas para com a
cultura do nosso povo e da nossa terra,contra os quais me insurgi solitariamente na época e sobre
os quais não posso deixar de voltar a me manifestar: Quando transformaram em minissérie (lá
na década de 80 do século passado) o romance O TEMPO & O VENTO, que resgata a saga do
povo gaúcho, não sei se por razões mercadológicas ou subalternas, na trilha sonora da mesma,
não teve sequer UMA música com temática e intérprete genuinamente gaúcho. Na ocasião a trilha
sonora foi feita pelo grande TOM JOBIM e com todo o respeito reverente que devotamos a sua
genialidade, a música dele não tem nada a ver conosco e muito menos com a nossa História.
Mas ninguém protestou e isso passou, como tudo passa nesta vida. E aí? Aí que passado mais al-
gum tempo, o raio caiu de novo no mesmo lugar, causou o mesmo estrago e novamente nin-
guém protestou. Quando foi isso? Foi durante outra minissérie, A CASA DAS SETE MULHERES,
que teve todo o apoio logístico e publicitário do Governo do Estado de então e NOVAMENTE NENHUMA MÚSICA na trilha sonora. A única música com temática mais aproximada com a nossa digital foi MERCEDITAS, um chamamé argentino. Cantado por quem? Ora pela grande GAL COSTA, 
com aquele estupendo, natural e perfumado sotaque gaudério da nossa mulher gaúcha!!!
Apenas para comparar: Já imaginaram se ao fazerem uma minissérie na e sobre a Bahia, ba-
seada em um romance do grande JORGE AMADO, além de não ter uma música sequer baiana, ainda
colocassem no lugar da IVETE SANGALO, do CAETANO VELOSO, do GILBERTO GIL, da DANI-
ELA MERCURY e de outros luminares da rica e multifacetada musicalidade baiana, o JUCA GAU-
DÉRIO para cantar LA CUMPARSITA? Pois, resguardada a proporção, foi exatamente o que aconte-
ceu aqui. Com a cumplicidade silenciosa e omissa da nossa classe artística e das instituições culturais
do Estado na época Agora corremos o risco de o raio cair (se isso acontecer, que esperamos que não,
terá que ir para o GUINESS!) pela terceira vez no mesmo lugar.
O TEMPO & O VENTO, o romance cíclico e épico sobre a saga da PÁTRIA GAÚCHA, vai vi-
rar filme e terá a direção do competente JAYME MONJARDIM, o mesmo que dirigiu A CASA DAS
SETE MULHERES.
Desejamos ao MONJARDIM, ao elenco e a sua equipe todo o sucesso, nessa empreitada em
mostrar para o Brasil e o mundo BASEADO NO ROMANCE HOMÔNIMO DE ÉRICO VERISSIMO.
como foi forjado O VERDADEIRO HOMEM GAÚCHO aqui do garrão da Pátria Brasileira.
Esperamos igualmente, que além de retratarem com FIDEDGNA FIDELIDADE, a nossa indumentária,
a nossa gastronomia, a nossa culinária, os nossos usos e costumes, a densidade sociológica da
nossa gente, o nosso inconfundível sotaque, RESPEITEM também o nosso brio e a NOSSA MÚSICA
feita pelo nosso povo, que deve estar atento e em prontidão, para protestar democraticamente, com a
mesma veemência e rigor com que o fez em relação a XUXA. Esperamos, de espírito desarmado como
é próprio do gaúcho, Dom JAYME MONJARDIM, que tantas vinculações tem com o nosso povo e a
nossa terra, que além de ser filho de uma artista referencial na música brasileira, de ter sido casado
com a gaúcha DANIELA ESCOBAR, vizinha aqui da lindeira São Franscisco de Borja, que consigas
com qualidade e honestidade cultural e artística, transpor para a tela a obra-prima do nosso grande
ÉRICO VERISSIMO (tão grande e vasto quanto a sua obra!) SEM AS SIMPLIFICAÇÕES
GROSSEIRAS e AS MUTILAÇÕES
das duas outras vezes anteriores.
Sejam benvindos, JAYME MONJARDIM, FERNANDA MONTENEGRO, THIAGO LACERDA, CLEÓ
PIRES e todo o elenco bem como técnicos e equipe de apoio. Nós, antropólogos intuitivos da herança cultural
deste sul do Brasil, vamos continuar aqui na barranca da fronteira, de cavalo encilhado e lança afiada,
para, se preciso, protestar e nos insurgirmos com a mesma galhardia e guapeza, do nosso antepas-
sado farrapo que com seu suor e seu sangue, tornou, por opção patriótica, este chão Brasil, pois
também acreditamos (parafraseando JOSÉ MARTÍ) que um povo SÓ É DONO DO SEU DESTI-
NO QUANDO FOR TAMBÉM DA SUA CULTURA!
Como me disse um paisano Filho de um pago feliz Numa sentença criolla
Que eu repito e peço bis: “BIENVENIDOS LOS DE AFUERA SE RESPETAN MI PAÍS!!!!!!!!!!!!!!!”
Itaqui (RS), 23 de Março de 2012.

 

João Sampaio

 

Fonte; Jornal Armazém da Cultura - São Borja