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MALA SUERTE

Entrei no bochincho com as esporas
abrindo rombo no assoalho,
O tilintar das chilenas, meio que
aquietou o alarido.
Segui tranquito no mas...
e me oitavei no balcão!

 

Pedi um canha, prá molhar a goela, botei um trago na boca e,
Com a canha queimando a lingua,
Finalmente me virei pra dar uma chuleada no galpão
Mas que mala suerte a minha!
meus olhos miraram direto pra
uma china retovada, lá no outro lado
china destas mui faceira, usava um vestido incarnado
e trazia uma flor da mesma
cor enfeitando os cabelos negros como as noites!
a cintura fina desta china
me lembrou o boleado da guitarra!
Seus olhos negros miraram minha estampa!
e seus labios sorriram pra mim com
um ar de deboche e pouco caso!
finalmente engoli a cachaça e
me enveredei pro lado da china
Pedi licença mirando fundo naqueles olhos negros e sentindo
Aquele perfume de flor e lasquei:
É de uma potranca destas que preciso... No meu potreiro!
BARBARIDADE! Se zóio raivoso matasse...
Segurei com firmeza a potranca e saímos nos corcovos de uma vaneira
De vagarito a china foi se aninhado nos meus braços e respeitando as rédeas...
Me convidou pra ficar! Não me fiz de rogado!
Só voltei pra estância 3 dias depois
Com a guaiaca vazia e o lombo sovado de canha e china...
Mas do meu pensamento não saia o sorriso daquela china
Voltei outras vezes no chinaredo, mas não encontrei mais a tipa
Só achava ela nos meus mangrulhos!
Nos meses seguintes embuçalei uma saudade maleva
Algumas vezes imaginei ter sonhado com a tirana
Mas como explicar o perfume dela no meu barbicacho?
Que triste hora que botei os olhos naquela china...
Mas que "mala suerte" a minha! Que "mala suerte"

Ademir Canabarro