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NÃO ADIANTA ENFEITAR O BRUXO!

 

O tradicionalismo gaucho representa o modo simples de vida dos gaúchos de antanho e nasceu  nas estâncias e fundões deste meu amado Rio Grande. Estes costumes foram resgatados pelo “grupo dos oito” – jovens estudantes do Julinho – que capitaneados por Paixão Cortes tomou rumo no sentido de preservar nossas raízes. Assim a bombacha  (calça larga ) usada pelos peões campesinos e o tradicionalismo dos campeiros do Rio Grande voltaram a freqüentar as sociedades e o salões de bailes. E  voltou-se a usar a gloriosa pilcha gaucha em defesa e honra dos costumes de nossos antepassados.
Aproxima-se a da festa máxima do tradicionalismo gaucho brasileiro, A SEMANA FARROPILHA E O 20 DE SETEMBRO! Uma semana em que todos os viventes do Rio Grande do Sul comemoram um passado de lutas sangrentas e glórias conquistadas por nossos heróis farroupilhas que num grito de revolta defenderam nosso chão e pelearam por dez anos. Nesta data, no Rio Grande do Sul é comum encontrar muitos chirus pilchados nas ruas até mesmo nas grandes cidades, o que não acontece no resto do ano. Se alguém quiser ver uma gaucho pilchado (usando o traje gaucho) somente adentrando em um CTG (Centro de Tradição Gaucha) e, mesmo assim, corre o risco de não ver o tal “gaucho”  ou indo nos rincões e estâncias que ainda existem no interior do Rio Grande onde a bombacha é usada diuturnamente e as esporas são ferramentas de muito valor. Muitos apenas se fantasiam de gaucho – como se nossa indumentária fosse uma fantasia! Nesta semana todos querem de alguma maneira ser reconhecidos como gaúchos, mas no fundo gostam mesmo é do modernismo e do modismo de agora!
Os CTGs durante a Semana Farroupilha ficam com os bailes lotados de “tradicionalistas”, é a data onde a patronagem procura com seus eventos arrecadarem alguns pilas a mais e botarem as finanças em dia. É, mas não adianta enfeitar o bruxo, é preciso que tomem cuidado com os grupos contratados para animarem um baile gaucho. Contratar grupos que outrora surgiram no mercado defendendo e tocando a autentica musica gaucha no compasso galponeiro não é garantia de um legitimo baile gaucho! Muitos dos grandes grupos se bandearam pro outro lado e foram garimpar uns pilas em outras querências e venderam até a alma tentando imitar os ditos cantores “sertanejos” de hoje em dia. Mas a maneira de tocar num ritmo acelerado e maxixado e com suas letras com palavras desrespeitosas consegue agradar aqueles falsos tradicionalistas que estão fantasiados de gaúchos durante os bailes na Semana Farroupilha, muitos patrões vão se vangloriar de terem o baile lotado. Mas ao permitirem que toquem musicas alienígenas dentro do sagrado recinto do CTG, prestaram um desserviço ao tradicionalismo gaucho brasileiro. E estes corrompidos grupos que se dizem gaúchos não usam a pilcha nem mesmo nos seus cartazes promocionais, costumam cobrar um alto cachê para se apresentarem e talvez por serem medalhões da música, alguns patrões se “achiquem” – fiquem com medo de exigir antecipadamente a relação das músicas que o grupo executará durante o baile e de vetar algumas – no caso de alguns grupos todas as músicas! Porque alguns destes grupos já não merece ser chamados para dentro de um CTG. Em nome dos pilas e da bilheteria deixam de lado grupos autênticos da música gaucha e contratam assassinos culturais para o palco do CTG. É preciso olhar e contratar os grupos musicais comprometidos com o nosso tranco gaucho e deixar os mercenários da tradição de lado! O Centro Nativista Boitatá da lendária São Borja no ano passado para o encerramento da Semana Farroupilha no último baile, contratou o excelente BALANÇO DO SUL, prata da casa, foi uma noite de verdadeiro sucesso gaucho onde a música e os ritmos campeiros foram respeitados. Bem diferente dos bailes tocados pelo grupo Minuano e grupo Rodeio este inclusive chegou ao cumulo de tocar com a bandeira do Rio Grande do Sul nas costas a música AVOHAI do cantor compositor nordestino Zé Ramalho. Senão um deboche... No mínimo um desrespeito com o ambiente! Nada contra o ótimo musico e compositor Zé Ramalho, mas a musica não é adequada para o ambiente de um CTG. E este “grupo” deveria saber disto, afinal, estávamos em plena Semana Farroupilha uma semana voltada ao tradicionalismo gaucho.  Portanto, o tradicionalismo bebe na fonte e nos tempos de outrora e não vive dos costumes de agora. O tradicionalismo não é modismo e não adianta enfeitar o bruxo!

Ademir Canabarro  - um missioneiro