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O lenço de pescoço é “panache” do gaúcho, seu orgulho e sua honra. Muitas vezes foi também símbolo político. Em 1893 foram “maragatos” contra “pica-paus” (lenço vermelho contra lenço branco) e em 1923 foram “maragatos” contra “chimangos” (novamente o embate das duas cores tradicionais) e em 1930 o esperto Getulio Vargas uniu brancos e colorados e literalmente “invadiu” o Brasil...

Aqui no Rio Grande do Sul, ainda na monarquia, as brigas eram constantes entre conservadores e liberais quando surgiram com muita força os republicanos. Em 1892 funda-se o Partido Federalista, cujos seguidores, os caudilhos do campo e sua clientela, gostavam de usar o lenço vermelho como símbolo ostensivo de sua condição política, o que aliás os farrapos também fizeram a seu tempo.

Os Republicanos logo passaram a usar o lenço branco. Houve ainda uma tentativa de fazer com que os castilhistas usassem o lenço verde, porque essa era a cor do positivismo, mas não pegou: a oposição natural ao lenço vermelho será sempre o lenço branco.

De 1893 a 1923 as coisas andaram brabas por aqui. O lenço identificava todo mundo obrigatoriamente e às vezes gerava ódios permanentes. E coisas curiosas: quem queria deixar claro que não era maragato nem chimango usava um lenço que misturava duas cores em padrão xadrez ou petit-poá. Ou então usava lenço com cores diversas, floreados, sem qualquer conotação partidária.

Outro lenço muito usado no Rio Grande do Sul nessa época – et pour cause! – era o lenço preto (de luto fechado) e o lenço preto e branco em padrão xadrez (de meio luto ou de luto aliviado). Ninguém iria a um baile, por exemplo, com lenço preto, porque o luto na campanha era sagrado: luto completo, da cabeça aos pés, nos seis primeiros meses após a morte do falecido e meio luto ou luto “aliviado” nos próximos seis meses. Ah, os homens também durante o luto completo não cortavam a barba e o cabelo. Ademais de identificação política partidária o lenço tem outra utilidade bem mais prática. Como enfeita o pescoço, ao mesmo tempo serve de proteção para a parte mais vulnerável do homem numa luta de arma branca. Por quê? O lenço de pescoço tão usado pelos gaúchos até hoje é sempre de seda e a seda cega o fio da arma branca. Estão aí os palas de seda como prova. Um gaúcho que peleia com pala de seda no braço esquerdo tem um perfeito escudo em sua mão.

A maneira de atar o lenço também varia um pouco. Uma vez eu pesquisei oito nós diferentes, alguns complicadíssimos. O segundo nó mais comum é o chamado nó farroupilha e o mais bagaceira, só usado por laçadores e por quem está procurando briga, é o nó de meia espalda. Se alguém aparecer num rodeio, numas carreiras ou num fandango com o lenço a meia espalda, abram o olho porque aí vem bochincho...

Duas curiosidades: algum CTG usa como parte do traje gauchesco obrigatório o lenço amarelo. Deus do céu! Não façam isso. O amarelo nunca foi cor de lenço no Rio Grande do Sul... Talvez porque essa cor tenha implicações freudianas bem significativas. Outra curiosidade diz respeito ao lenço azul, muito usado na Argentina e no Uruguai no tempo das lutas com os unitarios e os federales. Aqui no Rio Grande do Sul, a não ser algum caso raro de preferência pessoal, não existe o lenço azul de pescoço. Outra coisa, não confundam preferência da cor do lenço de pescoço com preferências futebolísticas – não tem nada que ver uma coisa com a outra. Um gremista fanático pode ser um maragato convicto e usar orgulhoso o seu lenço colorado.

Antonio Augusto Fagundes - Nico Fagundes